Dublador de Mass Effect afirma que Andromeda foi "tratado de forma desonesta" pela EA.
Tom Taylorson, o dublador de Scott Ryder em Mass Effect: Andromeda, disse ao site de fãs We Are Mass Effect que a EA lançou o RPG de 2017 antes que estivesse pronto e o prendeu a um motor gráfico que não se encaixava na história que a BioWare estava tentando contar. A entrevista, divulgada pela IGN, acontece mais de nove anos após o lançamento de Andromeda, que recebeu críticas medianas e teve vendas abaixo das expectativas da EA para a franquia.
Andromeda sucedeu Mass Effect 3 e trocou o Comandante Shepard pelos gêmeos Ryder personalizáveis e uma nova tripulação para a Tempest. A proposta era uma aventura em menor escala, criada para dar início a futuras sequências, em vez de encerrar uma trilogia. A EA arquivou a franquia antes do lançamento de qualquer uma dessas sequências planejadas ou DLC para um jogador.
Taylorson atribuiu a maior parte da culpa pela recepção do jogo à editora. Ele disse que o jogo foi lançado às pressas, mal acabado e forçado a usar a Frostbite num momento em que a maioria da BioWare Montreal não tinha experiência com a plataforma.
"O jogo foi tratado de forma desonesta por uma editora que esperava demais dele, não estava totalmente pronto, foi lançado prematuramente e forçado a usar o novo e reluzente motor gráfico da empresa, quando muitos membros da equipe não sabiam como trabalhar com ele, e ele NÃO era adequado para a narrativa do jogo."
— Tom Taylorson
A Frostbite pertence à DICE e foi implementada nos estúdios da EA na época. O primeiro lançamento da BioWare com a Frostbite foi Dragon Age: Inquisition, que foi amplamente elogiado. Andromeda e o jogo de tiro em primeira pessoa Anthem vieram em seguida e tiveram recepções bem mais negativas. O estúdio lançou posteriormente Dragon Age: The Veilguard (cujos desenvolvedores, como sabemos, tinham um relacionamento conturbado com os desenvolvedores de Mass Effect) na Frostbite em 2024, um lançamento que chegou em um estado mais refinado do que qualquer uma das tentativas anteriores. Mass Effect 5, desde então, voltou a usar a Unreal Engine, a mesma engine que a BioWare utilizou na trilogia original.
Taylorson também comentou sobre a recepção do lançamento. Ele descreveu o clima em torno do jogo como abertamente hostil e o relacionou a um padrão que viu se repetir em um projeto posterior.
"O jogo foi lançado em um ambiente MUITO tóxico online e em outros lugares no universo dos games. O gosto deles por ódio selou o destino do projeto. O que me entristece é que essa não seria a última vez que eu estaria envolvido em um projeto fadado ao fracasso por causa de haters online que escolhiam um jogo para ser o 'Saco de Pancadas da Semana': eu também trabalhei em Highguard."
— Tom Taylorson
Acho que a comparação com Highguard é a parte mais interessante desse comentário, porque agrupa Andromeda com um exemplo muito mais recente da mesma dinâmica, em vez de tratar 2017 como um caso isolado. A crítica à Frostbite é mais difícil de sustentar com clareza, dado o resultado de Veilguard na mesma engine.
Os problemas estruturais por trás de Andromeda são bem documentados. A BioWare Montreal liderou o projeto enquanto a sede em Edmonton se concentrava em Anthem. Relatórios durante e após o desenvolvimento descreveram um longo período gasto em planetas gerados proceduralmente que foram descartados, com grande parte do conteúdo final de Andromeda sendo construído durante os dois últimos anos de um ciclo de cinco anos que começou em 2012. Atualizações pós-lançamento focaram em animações faciais e outras arestas que os críticos haviam apontado no lançamento, mas a EA encerrou a franquia antes que qualquer DLC ou sequência direta pudesse se basear na fundação estabelecida por Andromeda.
Essa última decisão foi o que, segundo Taylorson, mais o afetou.
"Doía mais porque eu sabia que era o fim — Ryder não voltaria. Eu, e outros, achávamos que teríamos uma boa década para explorar esses personagens nesses espaços. E assim, de repente — acabou."
— Tom Taylorson
Ele disse estar desapontado com a recepção e lamentou pela equipe da BioWare Montreal, cujo trabalho foi alvo de críticas. Ele também mencionou uma reavaliação mais lenta por parte dos fãs que conheceram o jogo posteriormente, incluindo jogadores que lhe disseram que ele chegou em momentos difíceis de suas vidas. Ele afirmou que havia mérito em uma nota 7/10 que chegou em um momento oportuno.

Desde então, a BioWare se reagrupou em torno da Via Láctea para o próximo título, com veteranos da trilogia trabalhando em Mass Effect 5. O novo jogo foi revelado no final de 2020 e permanece em desenvolvimento inicial, com a EA anunciando recentemente a busca por um diretor para o projeto. Fãs já analisaram pistas iniciais sugerindo que elementos da história de Andromeda podem ressurgir, embora nada concreto tenha sido confirmado.
Vejo a abordagem de Taylorson como parte de um ciclo de reabilitação mais amplo que frequentemente atinge jogos desse tipo, onde o período de maior repercussão do lançamento deixa de definir o título assim que a discussão inicial esfria. Se essa boa vontade será suficiente para trazer os elementos de Andromeda de volta a um futuro Mass Effect é uma questão à parte.
Além do próximo jogo, a franquia também terá uma adaptação para a TV em desenvolvimento pela Amazon. A série se passa após os eventos da trilogia original e não contará com a presença do Comandante Shepard. O elenco, o início da produção e a previsão de lançamento ainda não foram anunciados.
O produtor executivo de Mass Effect, Daniel Casey, negou publicamente uma reportagem recente que afirmava que o novo chefe de TV global da Amazon, Peter Friedlander, havia pedido que os roteiros da série fossem reescritos para um público não gamer. Ele disse ao Bluesky que não recebeu nenhuma instrução nesse sentido e que a declaração o pegou de surpresa tanto quanto a qualquer outra pessoa.

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